outra vez sou normal
esparso, no meio do nada
parte de mim, me deixa
a outra parte, pode ficar aqui
estou farto, inflado
(continuo com oxigênio...)
sinto os alvéolos trabalhando
exauridos, cheios dessa fumaça cinza
ainda sou meio-humano
embora robotizado
enxergo, cores, aromas, sabores
me resta algum cabelo
mesmo que muito poucos
meus joelhos doem, como engrenagens enferrujadas
fico velho, apodreço
começo a pensar na herança que deixarei
corto algumas arestas
calculo outros valores
vejo se o que sobra vale a pena
retiro as últimas partículas do ralo
desinfeto e jogo óleo no restante
dou um breve adeus
àquela que me acompanhou por tanto tempo
aparado e limpo, partirei...
volto logo.
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