quarta-feira, 22 de abril de 2015

má-fé

essa tua idolatria abusada
estátuas ocas, madeira podre
natureza falsificada
vende planta como se fosse carne

fornecedor do teu próprio pecado
fornicando junto de santos e culpados
pregado na cruz de concreto
tomou uns jabs e caiu com um direto

...

meia hora de reza
não foi suficiente para aniquilá-lo
jurou que ia açoitá-lo
com sua própria destreza

a putridão impregnava sua alma
como o cheiro de chuva que fica na calçada
flores fechadas como sua mente,
dizem que seu cérebro é dormente...

...

o tão esperado dia chegou
glória, o messias voltou!
perplexo com o que viu ao redor
pediu a deus para não sentir aquele fedor

angustiado com o que encontrou
ouvindo um fiel gritar: louco!
não adiantava falar, ficou rouco
essa tua má-fé o desencorajou.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Mulher

Ela diz que não precisa,
move suas peças sozinha
anda onde quiser: na curva, na linha
sabe o que não quer, decidida; indecisa.

Rasga o que quer, veste a alma
multicolor, carne e fibra
capaz de tudo, escultora da vida
quantas vezes me perdi em teu colo
outras me achei em tuas saídas...

Com suas pernas, melhor, monumentos
já viajou pelo mundo, mas se diz perdida
chora pelos cantos, teatros, rodovias
ri nas estradas, gargalha na areia...

Perdoo cada um de seus delitos...
mas quem sou eu para perdoar?
Vive tua história, menina
que eu suspiro por ti, de longe, admirando
ah, mulher, como és linda!