quarta-feira, 28 de abril de 2010

think about!

-Ei, moço! Escutou. Olhou apressado, com medo. O rapaz o seguirá, e ele tinha notado que por longos metros o jovem o estava acompanhando, de longe.
-O que foi? Grunhiu o homem.
-É que caiu essa folha da sua pasta, tentei te devolver, mas parece que você estava tentando fugir de mim. Está com medo?
Ele olhou desconfiado para o garoto, e com um gesto grosseiro pegou a folha da mão do jovem. Na folha havia um desenho da sua filha. Nele continha a filhinha, o pai e a mãe, todos juntos na frente de uma bela casa. O homem saiu espantado, sem agradecer ao pobre rapaz.
Chegando o homem a casa, a filha pergunta ao pai:

-Pai, será que todo mundo tem casa?
-Não sei filha. Nem todo mundo tem dinheiro para morar em uma casa.

Talvez aquele garoto não tivesse casa, nem família, muito menos algo para comer. Mas ao mesmo tempo ele não hesitou em devolver aquele simples desenho ao homem de paletó e gravata que andava apressado, talvez até com receio do jovem mal-vestido que o seguia.

A filha faz outra pergunta:

-Pai, será que todo mundo tem o que comer?
-Filha, eu não sei. Só sei que nós temos o que comer. Você não devia se importar com essas coisas. Come e fica quieta.

Quinze anos se passam, e essa mesma jovem se encontra com o rapaz que devolveu o desenho a seu pai. Não foi bem um encontro, mas uma última lembrança de vida. O rapaz pobre, agora assaltante, quando aborda essa jovem, ela reage, ele atira e mata a moça. Tragédia. Espanto. Comoção. Sensacionalismo. Descaso. Culpa. Crime. Fatalidade. De quem é a culpa? Existe um culpado? De que adiantará achar um culpado? A culpa é de quem? Será que o garoto, que não teve alternativa senão entrar para o mundo do crime teve culpa pelo assassinato? Será que o governo, que não investe em políticas públicas: educação, saúde, incentivo às comunidades carentes, não tem uma parte de culpa? A culpa não pode ser do pai da jovem, que não a educou para ajudar o próximo, assim como o jovem assaltante, que devolve o desenho para o desconhecido apenas por boa fé?

Não existem respostas. Todo dia isso acontece. Até quando? Quando vamos acordar?

Luiz Stefano Giovanne

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Devaneio

Fico me perguntando porque do contentamento descontente... Puts, o descontentamento foi grande, mas não tão descontente, contente eu não fiquei, mas não tão descontente. E pensar no amor que arde sem se ver, claro que eu vi, e ele ainda dói. E o não querer mais que bem querer, quero muito, e ao mesmo tempo não quero nada. Contradições, antítese, loucuras. Enfim, belo devaneio. AH! Sem deixar de agradecer aos versos do poeta Camões. Grande salve!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

YOU WILL NEVER WALK ALONE

When you walk through a storm
Hold your head up high
And don't be afraid of the dark
At the end of the storm
Is a golden sky
And the sweet silver song of a lark

Walk on through the wind
Walk on through the rain
Tho' your dreams be tossed and blown
Walk on, walk on
With hope in your heart
And you'll never walk alone
You'll never walk alone


simplesmente fantástico. sem explicações, mas quando eu escuto eu me sinto como se tudo estivesse ótimo, perfeito.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Breve comentário

"Ora, o que é a vida? É uma espécie de comédia contínua em que os homens, disfarçados de mil maneiras diferentes, aparecem em cena, desempenham seus papéis, até que o diretor, depois de tê-los feito mudar de disfarce e aparecer ora sob a púrpura soberba dos reis, ora sob os andrajos repulsivos da escravidão e da miséria, força-os finalmente a sair do palco. Em verdade, este mundo não é senão uma sombra passageira, mas assim é a comédia que nele representamos todos os dias."

Erasmo de Rotterdam


Em alguns momentos deveríamos retirar a máscara do bufão e interpretar um personagem sério. Breve comentário.

hey freedom!

"Relatarei sumariamente a doçura da liberdade.
Um cão gordo e saciado encontra um lobo magro ao extremo. Eles se cumprimentam e param:
_ Diga-me, de onde vem tanta exuberância? Eu sou bem mais corajoso que você, morro de fome.
_ O mesmo destino lhe espera, se você puder servir o dono de maneira idêntica -responde bondosamente o cão.
_ Em quê? -perguntou o outro
_Vigiar a entrada, proteger a casa contra os ladrões, mesmo à noite!
_Estou, seguramente, disposto a isso! Por ora, sofro com a neve e a chuva, levo uma vida árdua nas florestas. Como me seria mais cômodo viver sob um teto sem fazer nada, alimentar-me e saciar-me de comida!
_ Siga-me então.
No caminho o lobo reparou no pescoço do cão, que a coleira tinha marcado:
_ De onde vem isso, meu amigo?
_ Nao é nada.
_ Conte-me, eu lhe peço.
_ Acham-me muito fogoso, por isso prendem-me durante o dia para que eu repouse quando está claro e para que eu zele quando chega a noite. No crepúsculo, sou desatado e vou aonde quero. Sem que eu tenha que me mover, trazem-me pão de sua mesa, meu dono me dá ossos e as pessoas da casa atiram-me porções de tudo aquilo que não querem. Assim, sem me cansar, encho meu estômago.
_ E, diga-me, se você quiser ir à algum lugar, você pode?
_Nao, absolutamente.
_ Seja feliz a seu modo, cão; nao gostaria de um trono que me tirasse a liberdade."

Fedro


Prefiro ser lobo solitário...

Palavras

perdoam
procuram
permitem
punem
processam
progridem
percebem
prometem
perseguem
parecem
Palavras.