quarta-feira, 25 de março de 2015

naturalmente

e de repente, o passado bate na porta
você não sabe se ri ou se chora
os problemas ou soluções pedem volta
sua vida tem que decolar, já passou da hora

não adianta retroceder, desista
voltar atrás? saia fora
piada sem graça, com a face torta
corta pela raiz o sentimento e joga fora

...

nos meus pés caiu uma granada
explodiram lembranças 
e o destino vem e te dá uma facada
sem chance de defesa, caio sem esperanças

por cima de mim passa uma manada
são muitos fracassos, poucas mudanças
e os minutos náufragos, construindo uma jangada
esperando e arquitetando suas vinganças

...

continuo rezando por esse deus que nunca me escuta
e agradeço porque assim continuo na luta
minha vida agora busca outro caminho
a nuca voltará a arrepiar com aquele friozinho

desconsolado, seguirei com a sina 
vigiarei a inspiração de esquina em esquina
outro dia veio ela com passos de pluma pelo convés
foi embora sem avisar, me deixou com esse revés.




segunda-feira, 16 de março de 2015

sobre dois dias tristes

hoje, minhas palavras estão presas em algum lugar
gritando reivindicações, melhorias

na avenida, elas se travestiram
espernearam atrocidades
cuspiram na cara dos que já foram torturados.

hoje, minhas palavras choraram
clamaram piedade, exigiram dignidade

nas ruas, elas correram
mais rápidas que os carros, motos, ônibus
atiraram na cara daqueles que só queriam justiça.

...

mata essa palavra!
essa palavra escolheu esse caminho porque quis!
tem palavra que mesmo pobre, é digna e honesta!
palavra boa é palavra morta!

terça-feira, 3 de março de 2015

não tão sagaz #2

do branco que fica preto e depois azul:
um rosto
bochechas
maçãs amadurecidas
pele jovem ou envelhecida.

do azul que escurece e volta a ser preto:
algum tempo
pequeníssimos espaços
migalhas do café da manhã
idade desconhecida.

do preto que laminado e mais uma vez é branco:
uma navalha
imperfeições expostas
manchas de batom
cútis rejuvenescida.

seria tolice pensar
que uns poucos cortes
fossem mudar sua vida.