segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Aos trancos e palanques...

Após várias votações, questionamentos, mudanças e conflitos, a "Lei Ficha Limpa" (que visa o impedimento a candidatura dos políticos em débito com a justiça) foi aprovada pelo Congresso Nacional. Ela não possui brechas, e sim verdadeiras crateras (as quais veremos mais adiante). A princípio, qualquer político que apresentasse alguma "sujeira" em sua ficha criminal não poderia se candidatar a qualquer cargo político no país. Infelizmente, não está acontecendo dessa maneira.
O projeto inicial (que contou com a assinatura de 1,6 milhão de
manifestantes) visava à proibição a candidatura de políticos que fossem condenados em 1ª instância. Mas ele sofreu diversas modificações. Assim que foi para o congresso, apenas os condenados em 2ª instância, julgados pelos colegiados, seriam impedidos de se candidatarem. Além disso, o texto final permite um recurso extra para os condenados, recurso esse que impediria que a candidatura fosse cassada.
Longuíssima ,seria a palavra certa, para falar da lista com o número de candidatos que possuem a ficha suja. São 155 nomes, de vereadores até governadores. Muitos deles não irão se candidatar em 2010, com medo de serem pegos pela lei. Mas o que talvez alguns não saibam, é que, enquanto o candidato estiver sendo julgado pelo Superior Tribunal Federal, ele poderá se candidatar, fazer propagando política utilizando os meios: rádio, televisão, internet e outros meios de comunicação; sendo julgado apenas quando já tiver assumido o cargo. Sendo assim, só acontecerá algo com o político após as eleições.
O Ministério Público teve até o dia 5 de Agosto de 2010 para julgar e empugnar os envolvidos no processo. Mais de 100 candidatos foram impugnados em todo o país. O projeto inicialmente foi brilhante, porque todo político seria julgado e impedido de se candidatar, qualquer que fosse seu delito. Mas, ao passar pelas mãos de vários futuros candidatos, foi modificado e modelado para que eles, mesmo com antecedentes criminais, pudessem se candidatar. As pessoas devem se informar e saber quais os deputados, senadores, governadores e futuros presidentes possuem a ficha limpa para, então, escolher os melhores representantes. Pensem bem antes de votar!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O circo da mídia


O papel da imprensa, em primeiro lugar, era o de informar. Pelo menos era. Hoje, ela manipula, controla, aliena, para em último caso divulgar a informação. Esse não é o verdadeiro dever dela. Jornalismo de uma maneira mais imparcial, sem tentar determinar tendências, sem tentar alienar as pessoas.
Um caso recente que vale a pena refletir, onde a mídia influenciou extremamente o resultado, foi a prisão do casal Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá. Na cobertura do caso, era necessário fornecer cada passo, cada ação, movimento dado por eles. Pelo menos foi isso que ela fez. A divulgação de um crime horrendo como esse é um prato cheio para comover a opinião pública...

E quem diria que ele seria atingido por sua maior aliada. Fernando Collor de Melo. Ora aliado, ora inimigo da mídia. Foi ajudado ao vencer as eleições presidenciais de 1990, contra o então sindicalista e inimigo (naquela época) da imprensa Luiz Inácio Lula da Silva. Dois anos mais tarde, em 1992, a mesma "mão amiga platinada" ajuda fortemente no processo de impeachement sobre Collor. Afinal, amiga ou inimiga?

O caso recente do jogador de futebol Bruno Sousa, a mídia caiu em cima dele e de seus comparsas. A investigação nem está perto de ser terminada, mas já conseguiram projetar a ideia de que ele é culpado. Talvez, ele tenha matado a ex-namorada. Ele pode até ter matado. Para a mídia não importa. Mais um prato delicioso.

Seria esse o papel da imprensa? Alguns princípios, leis, como a da inviolação da vida privada, intimidade, honra e imagem das pessoas devem ser respeitadas. Deve existir imparcialidade. Como disse o escritor e jornalista José Paulo Lanyi: "O jornalismo brasileiro ultrapassou, há muito, os limites do incomodo". Precisamos seguir menos a maquína manipuladora e formadora de opiniões. É preciso dar um basta nisso.