terça-feira, 17 de agosto de 2010

O circo da mídia


O papel da imprensa, em primeiro lugar, era o de informar. Pelo menos era. Hoje, ela manipula, controla, aliena, para em último caso divulgar a informação. Esse não é o verdadeiro dever dela. Jornalismo de uma maneira mais imparcial, sem tentar determinar tendências, sem tentar alienar as pessoas.
Um caso recente que vale a pena refletir, onde a mídia influenciou extremamente o resultado, foi a prisão do casal Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá. Na cobertura do caso, era necessário fornecer cada passo, cada ação, movimento dado por eles. Pelo menos foi isso que ela fez. A divulgação de um crime horrendo como esse é um prato cheio para comover a opinião pública...

E quem diria que ele seria atingido por sua maior aliada. Fernando Collor de Melo. Ora aliado, ora inimigo da mídia. Foi ajudado ao vencer as eleições presidenciais de 1990, contra o então sindicalista e inimigo (naquela época) da imprensa Luiz Inácio Lula da Silva. Dois anos mais tarde, em 1992, a mesma "mão amiga platinada" ajuda fortemente no processo de impeachement sobre Collor. Afinal, amiga ou inimiga?

O caso recente do jogador de futebol Bruno Sousa, a mídia caiu em cima dele e de seus comparsas. A investigação nem está perto de ser terminada, mas já conseguiram projetar a ideia de que ele é culpado. Talvez, ele tenha matado a ex-namorada. Ele pode até ter matado. Para a mídia não importa. Mais um prato delicioso.

Seria esse o papel da imprensa? Alguns princípios, leis, como a da inviolação da vida privada, intimidade, honra e imagem das pessoas devem ser respeitadas. Deve existir imparcialidade. Como disse o escritor e jornalista José Paulo Lanyi: "O jornalismo brasileiro ultrapassou, há muito, os limites do incomodo". Precisamos seguir menos a maquína manipuladora e formadora de opiniões. É preciso dar um basta nisso.

Um comentário:

  1. Sem dúvida, o sensacionalismo da imprensa deve ser alvo certo de críticas por parte da população. Há quem diga até que ela constitui um quarto poder, que não é mais importante que os outros, mas que tem alta capacidade de manipulação sobre eles. Contudo, é preciso reconhecer que apesar dos males trazidos pela importância dada à opinião "pública" (entenda como pública apenas a opinião de quem compõe a imprensa jornalística), ela constitui invariavelmente um mecanismo que tem contribuído para a moralização e democratização da sociedade atual.

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