Nuvens carregadas de chuva ácida
Relâmpagos, raios, rugidos!
O fio corroído da espada
que chorava ferro dos punhos destruídos
Grito de guerra? Choro dos sobreviventes
Aquelas bestas se alimentavam
de cada guerreiro dilacerado
Drenavam fogo! Surpreendentes!
Os combatentes já não acreditavam
após o melhor soldado ter sido exterminado.
...
Apenas três voltaram com vida
um louco, outro cego, todos mutilados
nada resistiria aquela investida
exceto os demônios atormentados
O louco, ainda via os pingos efervecentes
ossos à mostra, derretiam
na água pútrida que corria de lado.
Ao cego, restou o murmúrio dos valentes
que após serem desmembrados, esperneavam
clamando piedade, oh não, disse o bastardo.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
sobre o fogo
O fogo:
chama que clama,
ama e desama.
Acende, ascende e transcende.
Ao nascer do dia
queima, mata
e das cinzas,
a ave retorna.
Voa e volta
e de novo é livre.
O fogo:
que devora e extermina,
que derrubou tantos para a lama,
trouxe honra e desonra.
O fogo:
inconstante e forte
chama que fraca,
com o vento se apaga...
ou cresce, refaz, amadurece.
...
Queimarei seu nome
e do pó restante,
te assoprarei...
para que nunca mais volte
e das profundezas não retorne!
chama que clama,
ama e desama.
Acende, ascende e transcende.
Ao nascer do dia
queima, mata
e das cinzas,
a ave retorna.
Voa e volta
e de novo é livre.
O fogo:
que devora e extermina,
que derrubou tantos para a lama,
trouxe honra e desonra.
O fogo:
inconstante e forte
chama que fraca,
com o vento se apaga...
ou cresce, refaz, amadurece.
...
Queimarei seu nome
e do pó restante,
te assoprarei...
para que nunca mais volte
e das profundezas não retorne!
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Dinâmico
Dinâmico foi projetado
viveu parado, estático.
Seu professor foi gravado,
o conteúdo, televisionado.
De fones, ouvia os drones
bombardeando cada informação,
extinguiu-se a interação.
Nunca falou,
não era mais necessário.
Telepatia, ocultismo, monogamia,
futuro brilhante, diziam os sábios...
que fracasso!
...
Preto, branco e cinza
monocromático, monossilábico, morno, mono, uno...
foi preciso a audácia de apenas um
para que a vida novamente tivesse cor
assim, um por um,
célula por célula,
o mundo pintava-se de mundo
uma explosão de átomos;
sol, lua, satélites... todos assistiam
a colisão dos planetas!
viveu parado, estático.
Seu professor foi gravado,
o conteúdo, televisionado.
De fones, ouvia os drones
bombardeando cada informação,
extinguiu-se a interação.
Nunca falou,
não era mais necessário.
Telepatia, ocultismo, monogamia,
futuro brilhante, diziam os sábios...
que fracasso!
...
Preto, branco e cinza
monocromático, monossilábico, morno, mono, uno...
foi preciso a audácia de apenas um
para que a vida novamente tivesse cor
assim, um por um,
célula por célula,
o mundo pintava-se de mundo
uma explosão de átomos;
sol, lua, satélites... todos assistiam
a colisão dos planetas!
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
escrito perdido #3
e se deixo de existir?
viro número, entro em listas...
estatística!
cegueira, cela imunda
ratos, três por quatro...
psicodelia!
violado, chutado
espancado, mal-tratado...
eu mereço!
não mereço?
vou sair
falta um ano, um mês
mais um ano?!
é natal, tem visita
ninguém veio?
frustração, tudo preto,
me arrependo...
um pedido: resistir!
vai chegar, uma hora vou sair...
voltarei a existir?
viro número, entro em listas...
estatística!
cegueira, cela imunda
ratos, três por quatro...
psicodelia!
violado, chutado
espancado, mal-tratado...
eu mereço!
não mereço?
vou sair
falta um ano, um mês
mais um ano?!
é natal, tem visita
ninguém veio?
frustração, tudo preto,
me arrependo...
um pedido: resistir!
vai chegar, uma hora vou sair...
voltarei a existir?
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
lampejo
voltou para rua
apesar da lassidão,
esqueceu os odores,
ouviu cada lotação,
aqueceu os ardores,
sentiu nenhuma pulsação.
todos os predicados,
podia mesmo evaporar?
falta de... ar?
calou cada um dos leitores,
precisava falar...
então, escreveu:
-Aquela alegria,
podia acabar?!
...
não importa.
resistiu à tentação.
amanhã eu vou para casa,
você querendo ou não.
apesar da lassidão,
esqueceu os odores,
ouviu cada lotação,
aqueceu os ardores,
sentiu nenhuma pulsação.
todos os predicados,
podia mesmo evaporar?
falta de... ar?
calou cada um dos leitores,
precisava falar...
então, escreveu:
-Aquela alegria,
podia acabar?!
...
não importa.
resistiu à tentação.
amanhã eu vou para casa,
você querendo ou não.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
escrito aleatório #6
sem dor,
senhor.
quero assim:
canta o canto,
ouço sim
o quero-quero
pensa em mim
me desespero
em seu braço áspero,
quase etéreo...
entrego a ti
todo o meu sério
e fico só risos
delírio...
de lírio em lírio,
de rio em rio,
transbordar você:
sorrindo, livre.
senhor.
quero assim:
canta o canto,
ouço sim
o quero-quero
pensa em mim
me desespero
em seu braço áspero,
quase etéreo...
entrego a ti
todo o meu sério
e fico só risos
delírio...
de lírio em lírio,
de rio em rio,
transbordar você:
sorrindo, livre.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
classificados #1
Vendo poesia!
isso mesmo,
vender a prosa
o verso.
Anunciei nos classificados
tentei uma semana,
meses,
um século,
não apareceu interessado...
guardei todos os papéis
[em uma gaveta].
Depois atirei na sarjeta.
...
Tudo bem...
As rimas não eram boas
a maioria,
tão tolas...
Mas era o melhor de mim.
Se não ando tendo inspiração,
melhor agradecer, sem preocupação.
Prefiro continuar assim.
isso mesmo,
vender a prosa
o verso.
Anunciei nos classificados
tentei uma semana,
meses,
um século,
não apareceu interessado...
guardei todos os papéis
[em uma gaveta].
Depois atirei na sarjeta.
...
Tudo bem...
As rimas não eram boas
a maioria,
tão tolas...
Mas era o melhor de mim.
Se não ando tendo inspiração,
melhor agradecer, sem preocupação.
Prefiro continuar assim.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
desconstrução
chuva de aço que cai,
concreto armado que vai
ferro molhado:
enferrujou
estátua do santo que cai,
gesso suado que vai
mulher chorando:
ajoelhou
homem de carne que cai,
o malhete dourado que vai
rosto amassado:
encarcerou
corpo alvejado que cai,
bala do cano que vai
vidro quebrado:
estilhaçou.
*Um salve para o amigo Marcello Uchoa que ajudou na (des)construção do escrito.
concreto armado que vai
ferro molhado:
enferrujou
estátua do santo que cai,
gesso suado que vai
mulher chorando:
ajoelhou
homem de carne que cai,
o malhete dourado que vai
rosto amassado:
encarcerou
corpo alvejado que cai,
bala do cano que vai
vidro quebrado:
estilhaçou.
*Um salve para o amigo Marcello Uchoa que ajudou na (des)construção do escrito.
sábado, 30 de agosto de 2014
(a)grade
A grade que agrada:
o engradado.
Agrade que agrega:
a não grade.
Grade que se cerra:
desagrega...
e a grade suja
que fere e mata
alegra; balela...
De engradado em
engradado,
da garrafa que gela,
esquenta essa grade:
prende, segrega.
o engradado.
Agrade que agrega:
a não grade.
Grade que se cerra:
desagrega...
e a grade suja
que fere e mata
alegra; balela...
De engradado em
engradado,
da garrafa que gela,
esquenta essa grade:
prende, segrega.
terça-feira, 1 de julho de 2014
luta
e dentro de mim,
eu sou animal,
sou forte
e sábio...
mas dentro de mim,
sou perverso,
destrutivo
e violento
porque dentro de mim,
sou dinamite,
construção
e tijolos.
...
quando dentro de mim,
eu voltar a ser eu,
terei me aniquilado.
...
voltei a tomar conta de mim!
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