quinta-feira, 10 de outubro de 2013

escrito perdido #1

encostei o pé no violão,
chutei o ferro, as cordas
toquei a última canção
joguei a capa, as cartas
arranquei sem dó, com a mão
apunhalei, mesmo sem facas
cortei como uma folha, não!
as pálpebras congeladas, quase necrosadas
senti a dor, a lentidão
todas em preto e branco, fotografias
algumas sem pai nem mãe, sem certidão
sem carros, nem metrô, cansadas
vagando, faltando noção..

misturei todos os ingredientes,
coloquei ódio, tristeza e solidão
bati no liquidificador
bebi de uma vez, saí por aí
acenei para o passado,
fui caminhando
sorrindo, sorriso falso
para o resto da minha vida.


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Com os braços amarrados

Preso, cordas que mais pareciam correntes
Era notável o nó cego!
Vendado, não fazia ideia de onde estava...
Gritou, desmaiou, acordou...
Por um milagre, estava solto.
Livre, resolveu escrever o poema épico...
Porém, pensou...
Qual a graça em escrever agora?
Depois de tudo que passou e sofreu
criou nojo dos versos e sonetos,
quis queimar as páginas!
Vontade passou, enjoo continuou...
Embora liberto, seus braços continuaram amarrados...
Para sempre!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

sobre a felicidade

Não pretendo esgotar o tema
todo fato serve como experiência.
Se feliz, faço poema,
se triste, faço poesia.
Tento espalhá-la,
propagá-la
mas os ventos 
estão cada vez mais fracos,
não conseguem mover os barcos.
Irei ao mar, içar as velas.
Jogarei garrafas com cartas
e escreverei tomado pelas garrafas.

...

Não sei escrever sobre a felicidade,
procurei ser feliz,
por toda parte.
E enfim, te encontrei...
Parei de correr.
Dane-se a razão.
Rasguei as cartas,
vou viver!