Fico me perguntando porque do contentamento descontente... Puts, o descontentamento foi grande, mas não tão descontente, contente eu não fiquei, mas não tão descontente. E pensar no amor que arde sem se ver, claro que eu vi, e ele ainda dói. E o não querer mais que bem querer, quero muito, e ao mesmo tempo não quero nada. Contradições, antítese, loucuras. Enfim, belo devaneio. AH! Sem deixar de agradecer aos versos do poeta Camões. Grande salve!
contente devaneio, louco e sã
ResponderExcluirSobre o amor e sobre o descontentamento:
ResponderExcluirNecrológio dos desiludidos do amor
Os desiludidos do amor
estão desfechando tiros no peito.
Do meu quarto ouço a fuzilaria.
As amadas torcem-se de gozo.
Oh quanta matéria para os jornais.
Desiludidos mas fotografados,
escreveram cartas explicativas,
tomaram todas as providências
para o remorso das amadas.
Pum pum pum adeus, enjoada.
Eu vou, tu ficas, mas os veremos
seja no claro céu ou no turvo inferno.
Os médicos estão fazendo a autópsia
dos desiludidos que se mataram.
Que grandes corações eles possuíam.
Vísceras imensas, tripas sentimentais
e um estômago cheio de poesia...
Agora vamos para o cemitério
levar os corpos dos desiludidos
encaixotados completamente
(paixões de primeira e de segunda classe).
Os desiludidos seguem iludidos,
sem coração, sem tripas, sem amor.
Única fortuna, os seus dentes de ouro
não servirão de lastro financeiro
e cobertos de terra perderão o brilho
enquanto as amadas dançarão um samba
bravo, violento, sobre a tumba deles.
Carlos Drummond
apenas uma nova roupagem para a questão, hahaha
fantástico esse poema, muito bom.
ResponderExcluirvaleu "jackie" :)
Minha parte preferida: "Querer estar preso por vontade"...
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