sexta-feira, 16 de abril de 2010

Devaneio

Fico me perguntando porque do contentamento descontente... Puts, o descontentamento foi grande, mas não tão descontente, contente eu não fiquei, mas não tão descontente. E pensar no amor que arde sem se ver, claro que eu vi, e ele ainda dói. E o não querer mais que bem querer, quero muito, e ao mesmo tempo não quero nada. Contradições, antítese, loucuras. Enfim, belo devaneio. AH! Sem deixar de agradecer aos versos do poeta Camões. Grande salve!

4 comentários:

  1. Sobre o amor e sobre o descontentamento:

    Necrológio dos desiludidos do amor

    Os desiludidos do amor
    estão desfechando tiros no peito.
    Do meu quarto ouço a fuzilaria.
    As amadas torcem-se de gozo.
    Oh quanta matéria para os jornais.

    Desiludidos mas fotografados,
    escreveram cartas explicativas,
    tomaram todas as providências
    para o remorso das amadas.
    Pum pum pum adeus, enjoada.
    Eu vou, tu ficas, mas os veremos
    seja no claro céu ou no turvo inferno.

    Os médicos estão fazendo a autópsia
    dos desiludidos que se mataram.
    Que grandes corações eles possuíam.
    Vísceras imensas, tripas sentimentais
    e um estômago cheio de poesia...

    Agora vamos para o cemitério
    levar os corpos dos desiludidos
    encaixotados completamente
    (paixões de primeira e de segunda classe).

    Os desiludidos seguem iludidos,
    sem coração, sem tripas, sem amor.
    Única fortuna, os seus dentes de ouro
    não servirão de lastro financeiro
    e cobertos de terra perderão o brilho
    enquanto as amadas dançarão um samba
    bravo, violento, sobre a tumba deles.

    Carlos Drummond

    apenas uma nova roupagem para a questão, hahaha

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  2. fantástico esse poema, muito bom.
    valeu "jackie" :)

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  3. Minha parte preferida: "Querer estar preso por vontade"...

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